VENCESLAU NOTÍCIAS
segunda-feira, 16 de março de 2026
Violência no relacionamento: o momento em que a mulher precisa dizer basta
É preciso dizer com toda clareza possível: violência nunca é normal
Por Regina Racco
— Foto: Freepik
Nesta semana da mulher, é preciso fazer uma reflexão: é normal quando, mesmo que sutilmente, o homem desmerece sua parceira? A obrigue a fazer o que deseja, na vida, em casa, na cama?
A violência dentro de um relacionamento quase nunca começa de forma escancarada. Raramente aparece como um soco na mesa logo no primeiro dia. Ela costuma chegar devagar, silenciosa, disfarçada de “tem ciúmes é porque te ama”, de “explosão de temperamento”, de “ele estava nervoso”. E, quando a mulher percebe, já está vivendo dentro de um território onde o respeito foi substituído pelo medo.
É exatamente por isso que tantas mulheres acabam normalizando comportamentos que jamais deveriam ser tolerados.
Um comentário humilhante aqui. Um grito ali. Uma tentativa de controlar com quem ela fala, para onde vai, o que veste. Depois vêm as acusações, as chantagens emocionais, os insultos. E, em alguns casos, infelizmente, a violência física.
O problema é que, quando esse ciclo começa a se repetir, algo muito perigoso acontece: a autoestima da mulher começa a ser corroída pouco a pouco. Ela passa a duvidar de si mesma. Começa a pensar que talvez esteja exagerando. Que talvez tenha provocado aquela reação. Que talvez ele não seja tão ruim assim.
Mas é preciso dizer isso com toda clareza possível: violência nunca é normal.
Não importa se ele pede desculpas depois. Não importa se diz que estava estressado. Não importa se promete que nunca mais vai acontecer.
A violência não é um erro isolado. Ela é um padrão de comportamento. E nenhuma mulher deve aceitar viver dentro desse padrão.
Relacionamento saudável é feito de respeito, diálogo, cuidado e proteção mútua. Em um relacionamento saudável, a mulher se sente segura, valorizada e livre para ser quem é. Não existe medo de falar, de discordar ou de expressar sentimentos.
Quando a relação começa a gerar medo, tensão constante ou sensação de estar pisando em ovos, isso já é um alerta importante.
Outro ponto fundamental é entender que violência não é apenas física. Muitas mulheres acreditam que só existe agressão quando há tapas ou empurrões. Mas existem outras formas de violência igualmente destrutivas:
- Violência psicológica: quando o parceiro humilha, ridiculariza ou diminui a mulher;
- Violência emocional: quando ele manipula sentimentos, ameaça abandonar ou usa culpa para controlar;
- Violência moral: com insultos e desvalorização constante;
- Violência patrimonial: quando controla dinheiro ou impede a mulher de ter independência.
Todas essas formas machucam profundamente e podem destruir a autoconfiança.
E quando a autoestima começa a ser atacada, a mulher pode acabar acreditando que não merece algo melhor. Que talvez aquele seja o único relacionamento possível. Que sair dali seria impossível.
Mas essa é uma das maiores armadilhas da violência.
Toda mulher merece respeito. Toda mulher merece segurança. Toda mulher merece amor verdadeiro. E amor verdadeiro jamais machuca, ameaça ou diminui.
Por isso, fortalecer a autoestima é uma das armas mais importantes para quebrar o ciclo da violência. Quando a mulher volta a reconhecer seu valor, algo muda dentro dela. Ela começa a perceber que não precisa aceitar migalhas emocionais. Que não precisa viver com medo. Que não precisa justificar comportamentos abusivos.
A autoestima funciona como um escudo. Ela lembra diariamente que dignidade não é negociável.
Fortalecer essa autoestima pode começar com atitudes simples, mas poderosas:
- Reconhecer que a violência existe e não a minimizar;
- Conversar com pessoas de confiança e não se isolar;
- Buscar apoio familiar, psicológico ou institucional quando necessário;
- Informar-se sobre seus direitos;
- E, principalmente, lembrar que sair de um relacionamento abusivo não é fraqueza, é coragem.




