Atividades ocorrem no Centro de Presidente Prudente e no palco da
Área de Convivência do Sesc, propondo reflexão sensível e provocativa.
O Sesc Thermas de Presidente Prudente apresenta
uma imersão poética e reflexiva sobre as múltiplas faces da maternidade, nesta
sexta-feira (27), com duas atividades que prometem provocar diálogos e
sensibilizar o público.
Na primeira delas, às 17h, a artista Amanda
Pessoa apresenta a performance Culpas, na Praça 9 de Julho, no Centro. A
obra traz à tona as emoções que permeiam o dia a dia da maternidade, explorando
as culpas que atravessam as mulheres em diferentes fases de suas vidas.
Durante a ação, Amanda utiliza uma mala repleta
de objetos simbólicos como dispositivos cênicos, convidando o público a
interagir, compartilhar vivências e refletir sobre suas próprias experiências.
Ao ocupar um espaço público, a proposta também democratiza o acesso à arte e
promove um diálogo aberto com a cidade.
“Este trabalho nasce da necessidade de dar
visibilidade à solidão materna e aos diversos estímulos que atravessam a
experiência da maternidade. Dores físicas, emocionais e psicológicas - muitas
vezes invisíveis ou naturalizadas - representam apenas uma parte da realidade
enfrentada pelas mulheres. Em um constante movimento entre culpa e cobrança, a
sociedade parece reforçar, o tempo todo: ‘A culpa é da mãe’”, define a atriz.
Na sequência, às 20h30, o palco da Área de
Convivência do Sesc Thermas recebe o espetáculo teatral Mãe ou Eu Também Não
Gozei, com a atriz e dramaturga Letícia Bassit. A obra nasce a partir de
uma experiência pessoal da artista, que enfrentou um sistema jurídico machista
em busca do reconhecimento da paternidade de seu filho.
Com esse ponto de partida, Letícia mergulha, de
forma potente e poética, nas etapas que atravessam o corpo e a vida de qualquer
ser humano - gravidez, parto e puerpério - desmitificando a maternidade
idealizada e expondo suas contradições, dores, potências e tabus.
Conforme a artista, a maternidade nem sempre é
sinônimo de amor incondicional, cuidado e entrega. “Por trás da imagem
romantizada, existe uma realidade dura, atravessada por sobrecarga, julgamentos
e, muitas vezes, pela ausência paterna. É nesse contexto que surge o
espetáculo, uma obra sensível e provocativa, que joga luz sobre temas urgentes,
como a maternidade solo, o machismo estrutural, o sistema judiciário e o
direito à sexualidade feminina”, destaca.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), mais de 11 milhões de mulheres vivem na
condição de mães solo no Brasil, e entre 2020 e 2021, mais de 320 mil crianças
foram registradas sem o nome do pai na certidão, uma queda de 30% no
reconhecimento de paternidade no país, se comparado a 2019. Esses números
escancaram uma realidade muitas vezes naturalizada e invisibilizada: a da
negligência masculina e da sobrecarga feminina.
Além de evidenciar essa problemática, o
espetáculo também provoca uma reflexão profunda sobre o que significa ser
mulher e mãe em uma sociedade patriarcal. “O que representa, para esse sistema,
uma mulher engravidar sem saber quem é o pai? E mais: como lidar com um
judiciário que historicamente julga, pune e controla a sexualidade feminina,
enquanto permite a omissão dos homens na criação dos filhos?”, questiona
Letícia.
Um dos pontos abordados na obra é o princípio
jurídico da “exceptio plurium concubentium”, que até poucos anos atrás
era usado para negar o direito de investigação de paternidade quando a mulher
havia se relacionado com mais de um homem no período fértil. Uma lógica
perversa, que além de punir a mulher por sua vida sexual, nega às crianças o
direito de ter sua paternidade reconhecida e perpetua a negligência masculina.
“Durante todo o processo de criação da peça,
profanei sensações como culpa e medo, que estavam enraizadas no meu corpo sem
que eu percebesse. Estudei o funcionamento do judiciário brasileiro no que diz
respeito à filiação e me aprofundei na psicanálise para compreender os impactos
do desejo, do trauma e das novas configurações familiares. Esse percurso é,
acima de tudo, um movimento de desobediência - não só pessoal, mas coletiva -
que busca repensar o cuidado e tirar a sobrecarga do corpo das mulheres, criando
espaços de invenção, partilha e transformação social”, explica a artista.
O espetáculo conta com recursos de
acessibilidade em Libras e classificação indicativa de 16 anos.
INGRESSOS
Os ingressos estão disponíveis on-line e
presencialmente na Central de Atendimento, com valores de R$ 9 (credencial
plena), R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira).
SERVIÇO
Sesc Thermas de Presidente Prudente
📍 Rua Alberto Peters, 111 – Jardim das Rosas
📞 (18) 3226-0400
🕘 Terça a sexta, 8h às 20h. Sábados, domingos e feriados, 9h às 18h
🌐 Programação completa: sescsp.org.br/prudente
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