segunda-feira, 4 de julho de 2022

 

Entenda o que é a hérnia de disco, condição que obrigou Wesley Safadão a pausar agenda de shows

Apesar de ter recebido alta nesta sexta-feira (1º), o artista enfrenta nível de lesão que causa dor irradiada e exige tratamento intenso 


O cantor sente forte dores na coluna e dormência nas pernas
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

A hérnia de disco é uma lesão que acomete principalmente a área lombar e cervical, e foi o que levou o cantor Wesley Safadão a cancelar sua agenda de shows até o dia 6 de julho e se manter afastado dos palcos.

O professor e chefe do Departamento de Ortopedia, Reumatologia e Traumatologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rodrigo Pagnano, explica que a coluna vertebral é composta por várias vértebras sobrepostas uma sobre a outra e, entre elas, há uma estrutura chamada disco intervertebral. 

Este disco é formado por um núcleo gelatinoso, que é protegido por um tecido fibroso. Quando este tecido se rompe e o núcleo “vaza” por completo, acontece o que é chamado de hérnia discal ou hérnia de disco.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um em cada cinco adultos sofrem de algum problema crônico de coluna no Brasil. 

O problema do cantor Wesley Safadão está localizado na lombar, entre a terceira e a quarta vértebra, e em um estágio onde há compressão dos nervos e estreitamento do canal vertebral. O artista relatou fortes dores na coluna e dormência nas pernas.

Devido aos sintomas, foi direcionado para um tratamento intenso e repouso até uma nova avaliação médica. Nesta sexta-feira (1º), ele compartilhou com seus seguidores que recebeu alta do hospital e está com as dores controladas, mas ainda permanecerá em repouso residencial.

O especialista destaca que o processo de degeneração discal, por si só, já causa dor. Entretanto, quando o paciente começa a apresentar quadros de compressão dos nervos, a dor passa a ser irradiada para outros membros.

Como o artista está com inflamação na região lombar, as dores são direcionadas aos membros inferiores, como pernas e pés, em conjunto a outros sintomas.

“Pode ter um quadro de dor irradiada, como pode ter dormência, formigamento. Em casos mais graves, o paciente chega até a ter uma fraqueza muscular, então, até os movimentos podem estar comprometidos”, orientou o professor.

Outro fator que pode influenciar o aumento da dor é o quadro de estreitamento do canal vertebral, que também comprime os nervos.

“[O estreitamento] causa dor mesmo, mas pode também dar essa dor irradiada e, dependendo da posição, a pessoa piora ou melhora a sensação de formigamento e de dor nas pernas”, acrescentou Pagnano.

Porém, o ortopedista ressalta que esta ocorrência não é exclusiva de quem é diagnosticado com hérnia discal e, eventualmente, todos as pessoas podem sofrer com este estreitamento.

O agravo do quadro clínico do artista, segundo Pagnano, pode ter sido motivado por uma sobrecarga de trabalho.

“Provavelmente ele nunca teve uma pausa para fazer um tratamento bem feito. Não adianta só tomar uma medicação, se não fizer uma reabilitação com o fisioterapeuta e com o profissional [indicado]”, advertiu o professor.

A hérnia de disco é mais comum entre a faixa etária de 20 a 50 anos, e em pessoas do sexo masculino. A partir desta idade, as lesões se tornam degenerativas e estão ligadas ao envelhecimento. 

Além disso, há fatores que podem influenciar a lesão, como sedentarismo, excesso de atividade, ficar muito tempo sentado e esforço repetitivo.

A hérnia de disco também pode ser desenvolvida por consequência de um trauma na área e o carregamento de peso, não pela carga que é deslocada, mas pela forma que ela é carregada.

Os exercícios de academia também podem oferecer risco quando feitos sem orientação adequada, pois podem sobrecarregar a coluna e desencadear a hérnia discal.

Na maioria das vezes, o tratamento sem intervenção cirúrgica resolve os quadros, pois, nestes casos, de acordo com Pagnano, o processo cirúrgico não é via de regra, é exceção.

A terapia pode utilizar medicamentos para melhorar a dor e, em fases mais agudas, recorrer ao repouso, mas não por muito tempo. Depois, é necessário iniciar uma reabilitação com fisioterapia.

Há também a chance da hérnia ser naturalmente reintegrada ao disco intervertebral pelo organismo e devolver o paciente à normalidade.


“Existe a possibilidade da hérnia ser reabsorvida ou, pelo menos, deixar de comprimir o nervo e influenciar aquele processo inflamatório. [Neste caso], o sintoma da pessoa desaparece e é [necessária] só uma manutenção para fortalecimento, alongamento, fazer mudança de hábito, que ela fica sem sintomas.”, esclareceu o professor.

Segundo o ortopedista, na maioria dos casos as pessoas melhoram em três a quatro meses, ficando sem sintomas. Já aqueles que não se recuperam com o tratamento, ficam com fraqueza muscular ou alterações de sensibilidade, e podem, em conjunto a um profissional especializado, começar a considerar a cirurgia.

Existem pessoas que vão desenvolver uma erneação, mas vão conviver normalmente com isso. Vale destacar, no entanto, que é importante saber diferenciar uma dor comum dos sintomas da hérnia de disco.

A dor lombar normalmente dura até seis semanas (um mês e meio). Quando ela continua após este período, é necessário fazer uma investigação. Nestes casos, é importante realizar uma avaliação completa com um médico e complementar com exames, como uma ressonância.

Já as prevenções diárias visam a reeducar hábitos e incentivar a adoção de orientações ergonômicas, principalmente nos locais de trabalho. É essencial, por exemplo, evitar o sedentarismo, não permanecer muito tempo sentado, tomar cuidado com posturas erradas, manter uma boa alimentação e não sobrecarregar a coluna.

“Quando for carregar peso, a pessoa não pode levantar, por exemplo, do chão para cima mexendo só as costas, o ideal seria descer dobrando os joelhos, dobrando a perna e levantar o peso”, orienta o professor.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Hysabella Conrado. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário