Mecânica de centro de pesquisa na Antártica dormia com martelo no sutiã para se defender de assediador
Americana vivia com medo em remota base dos EUA no continente gelado
Por Fernando Moreira
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Foto: Reprodução/Billings Diesel & Marine
Uma mecânica de navios do centro de pesquisas dos EUA na Antártica revelou ter escondido um pequeno martelo no sutiã para se proteger de uma possível investida de um assediador lotado na base remota.
A declaração de Liz Monahon ganhou destaque após um grupo de pesquisa na Antártica implorar para ser resgatado, alegando que eles estão presos com um louco que abusou sexualmente de um colega e ameaçou matá-lo. O grupo de pesquisa sul-africano deve ficar na remota base Sanae IV até dezembro, tendo chegado apenas no mês passado. Não há resgate previsto para eles. O ministro do Meio Ambiente da África do Sul, Dion George, disse que falaria pessoalmente com a equipe para discutir a situação. Ele acrescentou que autoridades sul-africanas entraram em contato com representantes da Noruega e da Alemanha, que têm bases mais próximas de Sanae IV, "no caso de precisarmos fazer uma intervenção urgente".
Liz estava a 1.500km do Polo Sul quando foi, de acordo com a sua denúncia, ameaçada e assediada sexualmente em 2022.
A americana, então com 34 anos, ficou isolada por meses com uma pequena equipe que incluía um boxeador amador com histórico de crimes relacionados a álcool na Nova Zelândia, disse um juiz que cuidou de um caso de violência. O neozelandês, identificado como Zak Buckingham, era o seu assediador. A americana o conhecera durante quarentena por causa da Covid-19, em 2021, num hotel de Christchurch (Nova Zelândia).
A equipe da estação de pesquisa McMurdo, dos EUA, estava cercada por vastas camadas de gelo, enfrentou temperaturas de até 30°C negativos e experimentou a escuridão constante do inverno na Antártica.
"Ninguém além de mim estava lá para me salvar", relatou Liz.
Temendo que seu colega a matasse, ela pegou um martelo e o escondeu no sutiã. A ferramenta também costumava estar no seu macacão durante o expediente.
"Se ele chegasse perto de mim, eu começaria a atacá-lo. Decidi que sobreviveria", disse ela.
Seus medos foram despertados após repetidos desentendimentos com o homem, especialmente num dos bares do local, onde Liz alegou que o assediador e seus amigos começaram a provocá-la sobre "dormir com eles". O colega a ameaçou caso Liz contasse sobre a abordagem no bar.
Liz chegou a fazer uma reclamação ao RH da estação: "Ele é um perigo para mim. Ele ameaçou minha vida. Ele é capaz de me machucar e quer me machucar. Estou vivendo com medo nos últimos dois dias." Por o RH assumiu uma postura apaziguadora, afirmando que Liz não deveria levar a denúncia adiante por se tratar de um caso envolvendo funcionários de diferentes nacionalidades.
Depois que colegas souberam que Liz estava armada com um martelo, eles passaram a defendê-la dos riscos representados pelo seu assediador.
Ao retornar aos EUA, Liz criticou a chefia por não protegê-la, dizendo que ela só evitou danos físicos graças às suas próprias ações na base.
"Isso foi o mais assustador", declarou ela.
O caso nunca foi apreciado pela Justiça. Zak cumpriu pena de trabalho comunitário, mas num caso de violação da ordem de restrição contra sua ex-esposa.
A Fundação Nacional de Ciências, a agência federal que supervisiona o Programa Antártico dos EUA, publicou um relatório em 2022 sobre o fato de que 59% das mulheres disseram que sofreram violência ou assédio sexual enquanto estavam isoladas na Antártica.
fonte:https://extra.globo.com
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