quarta-feira, 19 de março de 2025

Empoderada em 'Garota do momento', atriz era a mais feia na lista das meninas do colégio: 'Sou a cara do bullying, né?' Mariana Sena, que interpreta Glorinha na novela das 6, alisou os fios até os 17 anos: 'fazia um corte químico horrível' 

Por Thomaz Rocha


 Foto: Márcio Farias

Os sonhos são o que move Glorinha em “Garota do momento”. A jovem realizará o desejo de finalmente abrir seu salão de beleza, dando a oportunidade a muitas mulheres de se acharem bonitas assumindo seus cabelos e corpos. Com tanto empoderamento na ficção, nem dá pra acreditar que Mariana Sena, intérprete da personagem, era a última da “lista das mais bonitas” na época da escola. Ela sofreu com ataques de colegas. Hoje, a atriz de 29 anos tenta passar uma borracha nessa fase e só vibrar positivamente.

Na novela, ela é a amiga de toda hora da protagonista, Beatriz (Duda Santos), e na vida real também se sente disponível para ajudar quem está próximo. Mas, nos últimos meses, vem se dedicando mesmo à pequena Ayomi, de 1 ano, fruto de seu relacionamento com o também ator Elzio Vieira, a quem chama de “namorido”.

Nascida e criada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Mariana reconhece o privilégio de ter crescido numa família sem dificuldades financeiras. Filha de um serralheiro, que morreu quando ela tinha 18 anos, e de uma bancária aposentada, a atriz resolveu viver da arte só depois de entrar para a faculdade de fonoaudiologia, que abandonou.

Mariana estreou na série “Spectros” (2020) da Netflix e também interpretou Lorena na novela “Mar do sertão”, na Globo. Para este ensaio de moda, usou roupas contemporâneas, mas com um toque dos anos 50, época em que vive sua Glorinha. Um chuá!

Como você vê Glorinha?

Glorinha é uma menina que tem o discurso do cabelo natural, do empoderamento. É superdestemida. Ao mesmo tempo, é completamente frágil e sensível. Precisou sobreviver numa realidade muito dura. Por isso, é tão reservada. Nisso, eu me identifico com ela, sou tímida. As pessoas sabem muito pouco da minha vida. Glorinha fez com que eu me questionasse. Todos nós temos questões na vida, que quando a gente vê estão ali numa caverninha. Eu precisei olhar para minha caverninha e analisar meus comportamentos.

Você é uma amiga leal como Glorinha?

Me considero uma boa amiga. Até chata. Sou taurina, então sou muito fiel às pessoas que amo. Além disso, sempre fui de poucos amigos, embora seja muito entregue a eles. Gosto de ouvir, ajudar e cozinhar para pessoas próximas. Ficar afastada dos amigos é uma grande dificuldade para mim, ainda mais morando temporariamente no Rio. Estou numa casa provisória, que não tem espaço para eu encher de gente. Após a maternidade, senti que a minha relação com os amigos mudou. Depois que engravidei, as coisas se reconfiguraram. Não digo que me afastei de um ou de outro, mas entendi que os amigos ocupam espaços diferentes.

Qual é a sua origem?

Fui criada entre São Bernardo do Campo e São Pedro, cidade do interior de São Paulo. Tenho uma família imensa com uns 14 tios, 30 primos e agregados. Fui criada pela minha mãe e meu pai junto com dois irmãos mais novos. Tive um pai superpresente e uma infância feliz. Fui criança por um bom tempo... Quando a galera começava a beijar na boca, eu estava brincando de boneca.

Teve dificuldades financeiras?

Não sofri dificuldades, muito pelo contrário. Meus pais batalharam para que meus irmãos e eu pudéssemos usufruir dos frutos do trabalho deles. Estudei em escola pública a maior parte do tempo. Só fui para uma escola particular no ensino médio. Entendo que tive privilégios. Sou o suco do privilégio, mas não do privilégio rico. Não passei fome. Na adolescência, fui rebelde, quis sair de casa para fazer faculdade. Achava que tinha condições de arcar com as minhas coisas com o dinheirinho que eu ganhava tendo uma bolsa na faculdade, mas não. Minha mãe teve que me ajudar.

Você já sofreu bullying?

Sou a cara do bullying, né? Eu era zoada na escola porque era tímida. Quando faziam a listinha das meninas mais bonitas, eu era sempre a citada como a mais feia. Não me identificavam com uma pessoa bonita nem inteligente. Meus pais sempre tiveram consciência racial e me ensinaram a me defender. Nunca tive dúvidas de que eu era negra. Não esqueço de um episódio em que cheguei em casa chorando, depois de um menino rir de mim e me chamar de neguinha. Minha mãe falou: “Mas eu não te ensinei que você é mesmo? Então por que está chorando? Vai chegar amanhã e responder para ele: ‘Sou sim. Qual o problema?’”.

Falavam do seu cabelo também?

Usei trancinha até 9 anos. Na hora do recreio, um menino jogou leite na minha cabeça e todo mundo riu. A partir dali, nunca mais quis usar trancinha. Depois, outro tipo de trança foi importante na minha transição (capilar). Fiquei alisando os fios até os 17 anos, fazendo um corte químico horrível. Aí comecei a usar a trança solta para fortalecer o cabelo. O processo de empoderamento através dos fios foi o mais transformador para mim. Por mais que eu alisasse o cabelo, ainda era negra. Vivi um processo de quase apagamento, mas sinto que cada dia mais sou uma mulher empoderada. É importante a Glorinha ter esse discurso na novela. Ainda assim, recebo mensagens nas redes sociais falando que tenho “cabelo de vassoura”.

Glorinha teme se entregar ao amor. Você já viveu algo parecido?

Nunca. Namorei muito pouco e sempre gostei de ser solteira. Só fui me interessar por alguém aos 15 anos. Beijei na boca pela primeira vez aos 16. Depois do primeiro beijo, demorei a dar outro porque não gostei. Só repeti três anos depois. Aí também desembestei. Tive alguns namorados até meu atual namorido.

Você está há quatro anos com o Elzio. Pensa em oficializar a união?

Não. Moramos juntos em São Paulo e estamos agora no Rio por conta da novela. Um filho já é oficialização suficiente (risos). Nos amamos bastante e somos muito companheiros e amigos. Este é o grande benefício da nossa relação. Estamos nos curtindo! Ele, eu e a baby também.

Como concilia a maternidade com as gravações da novela?

A maternidade para mim é uma grande maluquice, mas muito gostosa. Tudo acontece numa velocidade rápida... É meio caótico. Dizem que os primeiros meses são os mais difíceis, mais ainda acho difícil (risos). Mas acompanhar uma pessoa descobrindo o que é o mundo é muito legal. É muito desafiador trabalhar sendo mãe. Sempre me sinto em dívida com alguma coisa. Com o trabalho, comigo, com a criança... A gente nunca está 100% ok, mas tudo bem.

Como concilia a maternidade com as gravações da novela?

A maternidade para mim é uma grande maluquice, mas muito gostosa. Tudo acontece numa velocidade rápida... É meio caótico. Dizem que os primeiros meses são os mais difíceis, mais ainda acho difícil (risos). Mas acompanhar uma pessoa descobrindo o que é o mundo é muito legal. É muito desafiador trabalhar sendo mãe. Sempre me sinto em dívida com alguma coisa. Com o trabalho, comigo, com a criança... A gente nunca está 100% ok, mas tudo bem.

Mariana Sena usou:


Look diferente: 
A atriz veste vestido Studio Ellias Kaleb, brincos Carlos Penna Design e sapato Corello

Look branco com lenço: Mariana usa vestido e luva Penha Maia, lenço e óculos Feijão Preto, anel Altra Design e pulseira Carlos Penna Design


Look branco com chapéu: A artista veste conjunto Colcci, chapéu Graciella Starling, óculos Vogue, brincos e colar Altra Design, pulseira Carlos Penna Design e sapato Arezzo


Look vermelho: A atriz usa blusa e calça Inglesis, tiara Graciella Starling, brincos Altra Design e sapato Corello

Onde encontrar:
Altra Design @_altradesign_
Arezzo @arezzo
Carlos Penna @carlospenna.design
Colcci @colccioficial
Corello @corellooficial
Feijão Preto @feijaaopreto
Graciella Starling @graciellastarling
Inglesis @inglesis
Penha Maia @penhamaia
Studio Ellias Kaleb @studioelliaskaleb
Vogue @vogue

Créditos
Texto e produção executiva: Thomaz Rocha
Edição: Camilla Mota
Fotos: Márcio Farias @marciofariasfoto
styling: Jessica Kelly @jessicakelly__
Beleza: Titto Vidal @tittovidal
Agradecimento: Cidade das Artes Bibi Ferreira @cidadedasartes_

fonte:https://extra.globo.com/

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