quarta-feira, 26 de março de 2025

Mãe ausente em 'Volta por cima', Lucinha Lins revela conversa íntima com os quatro filhos: 'Eu precisava saber' 

O reencontro de Ruth (Lucinha Lins) e o filho Marco (Guilherme Weber) em "Volta por cima" — Foto: Manoella Mello/Rede Globo/Divulgação

— Foto: Manoella Mello/Rede Globo/Divulgação

Sempre lembrada pela personagem de 'Os Saltimbancos Trapalhões', a atriz e cantora brinca ao falar sobre vaidade aos 72 anos: 'Eu era gatinha, fiquei gata, depois gatona e agora estou a caminho da gata velha' 

Por Naiara Andrade

O tempo não passou para Lucinha Lins. Muito dedicada ao teatro em mais de meio século de carreira, a atriz, produtora e cantora diz nem ter percebido que já fazia tantos anos que estava longe das novelas da Globo, desde que interpretou a Elvira de “Chocolate com pimenta”, em 2004. O afastamento completou até a maioridade!

— Fiquei impressionada quando começaram a repetir “21 anos fora da Globo”. Nunca parei a minha vida artística, estou nos palcos desde os 17 anos... Levei um susto com o hiato — conta ela, que, aos 72, surgiu em “Volta por cima” como Ruth, mãe ausente de Marco (Guilherme Weber).

Qual é a sensação de estar de volta às novelas

Ótima! Fui muito bem acolhida, tanto pelo público quanto pelos colegas. Volta e meia alguém esbarrava comigo e dizia: “Estou com saudade de você nas telinhas”. É difícil explicar às pessoas que não dependia de mim, eu precisava ser chamada... Está tudo muito diferente na Globo. A personagem é maravilhosa, difícil. Fiquei muito aflita porque caí de paraquedas numa locomotiva que já estava nos trilhos a mil por hora. Logo no primeiro dia, peguei 50 graus de temperatura na externa. Brinquei: “Ok, estou chegando agora, isso deve ser trote de calouro. Já podemos ir para o estúdio” (risos).

Ruth surgiu como vítima de uma situação criada por Rodolfo (José de Abreu), que a separou de Marco ainda bebê. Há chances de ela se tornar “uma Raquel”?

(Risos) Não sei o que me aguarda, é um dia de cada vez. Ruth já mudou: começou assustada, tímida. Foi ameaçada e magoada profundamente com o roubo desse filho. Até mudou de nome por medo, se fechou. Mas a convivência com esse filho tem feito ela florescer. Já tem uma maquiagenzinha, um cabelo mais arrumadinho, roupas mais alegres... Ela se sente mais forte vivendo o amor de mãe. Curioso é que o Guilherme (Weber) é mais parecido comigo do que os meus filhos de verdade. O nosso colorido é semelhante.

Ruth pediu perdão a Marco pela ausência. Você já teve uma conversa séria com seus filhos, desculpando-se por algum motivo?

Há uns 20 anos, me lembro de reunir os quatro depois de um jantar e perguntar: Em algum momento eu atrapalhei, envergonhei ou constrangi vocês?”. Eu precisava saber, porque faço o melhor possível, mas às vezes o meu melhor é uma porcaria para o outro, né? E o veredicto dos meus filhos foi: “Você é bacana, você é uma boa mãe, a gente é amigo”. Foi emocionante. Eu sou uma mãe, uma avó e uma esposa muito feliz, porque existe uma troca natural de confiança entre nós.

A eterna gata de “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981) continua uma gata! Como tem lidado com o envelhecimento? É vaidosa?

Eu brinco que eu era gatinha, fiquei gata, depois gatona e agora estou a caminho da gata velha (risos). Tenho algum tipo de vaidade, sim. Adoro cremes, já fiz cirurgias plásticas... Dei uma segurada de pescoço, botei os peitos no lugar... Envelhecer faz parte da vida. a pele, a voz, o cabelo, tudo muda. Acompanhar essas mudanças é chato e dá muito trabalho. Tenho tomado conta de mim um pouco melhor. E a mortalidade existe, não é? Está aí. Portanto, é impossível não pensar nisso.

Por falar em vida e morte, “A viagem” voltará a ser exibida na Globo... Estela, sua personagem na novela, era uma sensitiva. Você trabalha a sua espiritualidade?

Essa novela é um grande fenômeno, um trabalho lindo na minha vida. Eu fui criada na religião católica, estudei em colégio de freiras, fiz primeira comunhão... Creio em Deus, sou uma pessoa de fé. Gosto do budismo, já fiz estudos sobre Jesus Cristo, esse avatar incrível que passou pelo planeta Terra. Sou religiosa, mas não sigo uma religião atualmente. Acho que Deus é uma necessidade dentro de todos nós. Ele é meu amigo, meu irmão camarada.

Além de atriz, você é cantora. Muitos se surpreendem ao descobrir que é sua a voz do famoso jingle “pipoca com guaraná”...

Eu achei que seria médica, não aconteceu. Sou da época áurea dos jingles, que chegavam a tocar no rádio. Fiz muito coro, participei de festivais, ganhei, fui vaiada... Não sou uma cantora de discos lançados, não tenho paciência para o mercado fonográfico, que nem existe mais. Mas nunca parei de cantar. Música é um estado de espírito. Sem ela, eu não sou capaz de viver.

Você fica no ar até o fim de “Volta por cima”. E depois?

Eu me dei um grande desafio: vou encarar meu primeiro e provavelmente único monólogo da carreira. Se chama “Torta capixaba”, é do (Claudio) Tovar, meu marido. Ele escreveu há alguns anos, e eu disse: “Esse é meu, você não vai mostrar para ninguém”. Estamos em fase de captação de recursos. Vamos conseguir!

fonte:https://extra.globo.com/

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