O brasileiro Fernando Mariano vive na Europa há 20 anos, está envolvido em grandes produções como 'Star Trek' e é ativista LGBTQIA+
Por Jhonny Chavão — Rio de Janeiro
— Foto: Reprodução
Recentemente lançada pelo Disney+, a série "Caso de Jean Charles: um brasileiro morto por engano'' traz questões sobre como os imigrantes são tratados em outros países. A produção é inspirada na vida do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em 22 de julho de 2005 ao ser confundido com um terrorista etíope. Na série, o ator brasileiro Fernando Mariano dá vida a um amigo do protagonista. Fernando detalha que seu personagem é uma mistura de várias pessoas presentes na vida do Jean, sendo o principal deles um primo, que era “a ponte da Inglaterra com o Brasil, pelo fato de saber falar inglês”.
Para encarnar o papel, o ator conta que conversou de forma constante com a família do brasileiro.
— Fazer uma pessoa real tem suas vantagens, que é poder conversar com os conhecidos, ter esse contato e construir essa figura — destaca Fernando.
Como brasileiro que já vive fora do país há 20 anos, ele conta que se sente um imigrante o tempo todo. Ao fazer a série, inclusive, conta que teve o exercício de empatia constantemente, seja em relação ao Jean ou à família dele: “Poderia ser eu, ou qualquer um da minha família”, relata Fernando, paranaense que, nas últimas décadas, se divide entre Portugal, Espanha e Inglaterra.
Fernando acredita que a tragédia com Jean Charles aconteceu pelo fato de ele “morar em um bairro do subúrbio, não ser rico e ser um trabalhador comum”. O ator destaca, entretanto, que estrangeiros sofrem muito não só com a xenofobia, mas também com o racismo. Fernando afirma ainda que o ocorrido com Jean Charles poderia se dar com qualquer imigrante.
O artista brasileiro, que já esteve em projetos ao lado de Antonio Banderas e na equipe de produção de grandes sucessos como "Star Trek'' e ''Missão impossível'', destaca que por várias vezes teve que trabalhar o sotaque em seus diferentes trabalhos. Para fazer a série sobre Jean Charles, inclusive, resgatou sua criança interior.
— Fiz o exercício de voltar à minha criança interior. Isso faz parte da minha vida artística, reviver meu sotaque dos 10 anos. E eu também escrevo. Isso ajuda na construção dos meus personagens.
Fernando compartilha que, ainda adolescente, confidenciou aos pais que era homossexual. Nas palavras dele, não foi uma saída do armário, até porque sempre falou tudo o que pensava em casa. Mas quando ele revelou isso, o pai lhe pediu que orasse, já que eram da igreja evangélica, com os pais pastores. Depois disso, ele chegou a participar de uma terapia de conversão, com duração de dois anos, fase que ele define como “um caos e um horror para ele, e um trauma para os pais”.
Desde então, abandonou a igreja, como se "começasse a vida do zero''. E tenta levar suas vivência para seus personagens e sua escrita, já que ele também é roteirista.
“Não tem como lutar contra a homofobia sem lutar contra o racismo e sem lutar contra a xenofobia”, enfatiza.
fonte:https://extra.globo.com/
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