quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Agressão em Bataguassu expõe jornada dupla como estopim para violência domésticaCaso expõe como a divisão desigual de tarefas é usada para justificar violência


Foto: Elenize Oliveira | Cenário MS

Por: Elenize Oliveira Fonte: Redação Cenário MS
Agressão em Bataguassu expõe jornada dupla como estopim para violência domésticaCaso expõe como a divisão desigual de tarefas é usada para justificar violência
03/11/2025 às 10h00
Por: Elenize OliveiraFonte: Redação Cenário MSCompartilhe:
Mulher relata rotina de abusos e sobrecarga de trabalho doméstico em Bataguassu - Foto: Elenize Oliveira | Cenário MS Mulher relata rotina de abusos e sobrecarga de trabalho doméstico em Bataguassu - Foto: Elenize Oliveira | Cenário MS
Um homem foi conduzido à Delegacia de Polícia em Bataguassu, na tarde do último sábado (1º), acusado de agredir e injuriar sua companheira em uma residência no Bairro Santa Rosa. A Polícia Militar foi acionada por volta das 15h para intervir em um conflito familiar que, segundo o relato da vítima, expõe uma rotina de abusos e sobrecarga.
No local, os policiais encontraram a vítima do lado de fora da casa, visivelmente abalada. Ela informou que seu companheiro havia chegado ao imóvel e começado a quebrar objetos.
Conforme o depoimento da mulher, ela estava concluindo a limpeza da casa e se ausentou brevemente. Ao retornar, foi questionar o marido, que estava visivelmente nervoso. Nesse momento, ele passou a atacá-la com insultos humilhantes, como "porca", "relaxada" e "vagabunda".
A agressão verbal escalou para violência física quando o homem arremessou uma tampa de panela em sua direção, atingindo-a na região da sobrancelha direita.
Vítima relata rotina de sobrecarga e abusos
A mulher expôs aos policiais que o episódio de sábado era parte de um padrão de violência. Ela afirmou sofrer agressões físicas anteriores, incluindo socos e golpes com cabo de vassoura.
A vítima também descreveu situações de violência psicológica e patrimonial, destacando ser a única cobrada pelas tarefas domésticas, embora também trabalhe fora. Ela relatou que é frequentemente proibida pelo companheiro de utilizar o veículo do casal, tendo, inclusive, de se deslocar ao trabalho de bicicleta sob chuva recentemente.
Os policiais localizaram o homem em um dos quartos. Ele confirmou a discussão, alegando que sua irritação foi motivada pelo estado de limpeza do fogão e da pia.
O suspeito, que também estava na residência e não tomou a iniciativa de limpar o local, admitiu ter se alterado e iniciado o conflito verbal. Ele confirmou ter arremessado objetos da pia no chão, mas negou ter lançado qualquer item diretamente contra a companheira.
O homem informou que o casal está separado há cerca de trinta dias, mas ambos seguiam vivendo no mesmo imóvel. Ele declarou que sua única "exigência" na residência era relacionada à limpeza, direcionando essa cobrança exclusivamente à mulher.
A jornada dupla como contexto da violência
O cenário descrito na ocorrência reflete um padrão recorrente em casos de violência doméstica. Especialistas na área apontam que a imposição de tarefas domésticas como obrigação exclusiva da mulher, especialmente quando ela também possui uma jornada de trabalho externa, configura exploração e violência baseada em gênero.
Essa sobrecarga, conhecida como "jornada dupla", é frequentemente utilizada por agressores como pretexto para exercer controle, praticar humilhações (violência psicológica) e justificar agressões físicas, perpetuando um ciclo de abuso.
Diante dos fatos, as partes foram encaminhadas à Delegacia de Polícia Civil para a formalização da ocorrência e as investigações necessárias.
Estatísticas e canais de ajuda
A violência de gênero é um problema crítico na região. Dados oficiais apontam que Bataguassu já registrou 227 casos de violência doméstica entre 1º de janeiro e 2 de novembro de 2025. Em todo o Mato Grosso do Sul, o número no mesmo período chega a 17.966 registros.
A violência contra a mulher é crime e não deve ser tolerada. Se você ou alguém que conhece está em situação de risco, procure ajuda:
Ligue 190: Polícia Militar (para emergências imediatas).
Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (denúncias e orientação, funciona 24h).
Delegacia de Polícia Civil: Procure a unidade mais próxima para registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência.

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