Em 18 anos, Santa Casa realizou quase 500 transplantes de córneas; especialistas reforçam que Autorização Eletrônica (AEDO) e diálogo familiar são as chaves para reduzir a fila de espera.
Por Redação de O Imparcial de Presidente Prudente por MELLINA DOMINATO
A solidariedade e a eficiência hospitalar têm transformado a realidade de centenas de pacientes em Presidente Prudente. Dados consolidados de 2025 mostram que as principais instituições de saúde da cidade — a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Regional (HR) — mantêm um ritmo constante de captações e transplantes, consolidando a região como um polo de medicina de alta complexidade no Estado.
Balanço de Solidariedade
Na Santa Casa, o ano de 2025 fechou com 15 transplantes de córneas e seis captações de tecidos oculares, além de cinco captações de múltiplos órgãos. O número reflete uma trajetória histórica: em 18 anos (de 2007 a 2025), o hospital acumulou 589 captações de tecidos oculares, 493 transplantes de córneas e 117 captações de múltiplos órgãos.
Já no Hospital Regional Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, houve um salto expressivo na eficiência das coletas. Enquanto em 2024 foram registrados três procedimentos, o ano de 2025 encerrou com oito coletas de oito doadores diferentes, evidenciando o fortalecimento das equipes de abordagem.
O Obstáculo da Recusa Familiar
Apesar do avanço tecnológico, a doação ainda depende de um fator humano: o consentimento da família. O enfermeiro Helton Santana, da Comissão Intra-Hospitalar da Santa Casa, explica que o contexto da morte influencia a decisão.
“Quando se trata de morte traumática, é mais provável que haja recusa devido ao sofrimento imediato. Já nos quadros de AVC, há maior aceitação por ser uma condição irreversível”, pontua Santana. Ele reforça que a entrevista familiar é realizada com parentes de primeiro grau e todos os presentes precisam concordar com o procedimento.
Como ser um doador?
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) e o Conselho Nacional de Justiça ressaltam que a principal orientação é manifestar a vontade em vida. Hoje, o processo ganhou um aliado digital: a AEDO (Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos), que permite o registro formal da intenção através de cartórios digitais, facilitando a decisão da família no momento do óbito.
Logística e Rigor Técnico
O processo é uma corrida contra o tempo. Após a confirmação da morte encefálica por dois médicos e exames clínicos, a Central de Transplantes é notificada. “Caso haja o aceite, o processo de captação pode levar cerca de 36 horas, envolvendo transporte aéreo e exames laboratoriais rigorosos para garantir a viabilidade dos órgãos”, explica o enfermeiro da Santa Casa.
A identidade dos receptores é mantida em sigilo absoluto, sendo informado à família do doador apenas quais órgãos foram viabilizados e para quais cidades seguiram.
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