Foto: Reprodução/Polícia Militar
Batizada de "Rota Caipira", malha rodoviária que corta as regiões de Sorocaba, Itapetininga e Bauru torna-se o principal corredor de escoamento do tráfico para a capital e o Porto de Santos.Por Redação G1 Prudente
O mapa do tráfico de drogas em São Paulo sofreu uma mudança drástica de eixo. Dados recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelam que o interior paulista não é mais apenas uma zona de passagem, mas o epicentro das operações de combate ao narcotráfico: hoje, 70% de toda a droga apreendida no estado ocorre fora da Região Metropolitana.
O fenômeno, apelidado pelas forças de segurança como "Rota Caipira", utiliza a infraestrutura de rodovias como a Castelo Branco (SP-280) e a Raposo Tavares (SP-270) para camuflar toneladas de entorpecentes em cargas lícitas de grãos e maquinários.
O Recorde de Porangaba
O símbolo máximo desta interiorização do crime organizado ocorreu em fevereiro de 2025. Em uma operação que mobilizou inteligência e força tática, a polícia localizou 9 toneladas de maconha e skunk escondidas sob uma densa carga de milho, na cidade de Porangaba (SP).
Essa apreensão é considerada um divisor de águas pela Polícia Rodoviária. "O volume demonstra que o crime organizado está investindo em logística pesada. Eles usam o interior porque a capilaridade das estradas vicinais permite, em tese, fugir da fiscalização principal, mas o monitoramento inteligente tem fechado esse cerco", afirma um porta-voz da polícia em entrevista ao G1 Itapetininga e Região.
Por que o Interior?
Especialistas em segurança pública apontam três fatores principais para o fortalecimento da Rota Caipira:
Conexão com a Fronteira: O interior de SP é a porta de entrada natural para carregamentos vindos do Mato Grosso do Sul e do Paraguai.
Logística de Exportação:
As cidades do interior servem como "entrepostos" onde a droga é fracionada ou escondida em caminhões antes de seguir para o Porto de Santos.
Camuflagem Agrícola: O intenso fluxo de caminhões com safras (milho, soja e cana) facilita o disfarce de cargas ilícitas.
Impacto nas Cidades Médias
O reflexo dessa estatística é sentido no cotidiano de cidades como Itapetininga, Sorocaba e Bauru, que viram o aumento das operações policiais e das prisões em flagrante. Segundo a SSP, o foco agora é asfixiar o braço financeiro dessas organizações, indo além da apreensão física e buscando os responsáveis pela logística dos veículos.
Apesar do alto índice de apreensões — o que indica eficiência policial —, o número também acende um alerta sobre o volume de entorpecentes que circula pelo estado diariamente.

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