terça-feira, 8 de novembro de 2022

 

Inadimplência bate recorde em outubro e atinge 30,3% das famílias. É a maior taxa anual desde 2010

Os endividados são aqueles com débitos a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestações de carro e de casa)
Os endividados são aqueles com débitos a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestações de carro e de casa) Foto: Reprodução
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Foto: Reprodução

inadimplência cresceu no país em outubro, atingindo novo patamar recorde desde o início da série histórica, em 2010. A proporção de famílias brasileiras com contas atrasadas foi de 30% para 30,3% no mês passado. É a quarta alta mensal consecutiva, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em um ano, o avanço no indicador chega a 4,6 pontos percentuais (p.p.) — o maior aumento percentual desde março de 2016.

"O nível de endividamento alto e os juros elevados pioram as despesas financeiras associadas às dívidas em andamento, ficando mais difícil quitar todos os compromissos financeiros dentro do mês”, pontua o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Endividamento

No quesito endividamento — considerando as pessoas que têm dívidas a pagar, mas não necessariamente em atraso —, 79,2% das famílias pesquisadas relataram ter débitos a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e prestações de carro e de casa).

Neste ponto, no entanto, a pesquisa apontou uma queda de 0,1 ponto percentual na proporção de endividados em outubro, após três altas consecutivas.

Em 12 meses, porém, a proporção de endividados avançou 4,6 p.p.. Ainda assim, é a menor taxa anual registrada desde julho de 2021

De acordo com a CNC, o endividamento está menor tanto entre as famílias com rendas média e baixa (até dez salários mínimos ou seja, até 12.120) quanto para aquelas na faixa de maiores rendimentos (acima de dez pisos nacionais).

Em outubro, a maior redução do endividamento foi registrada entre os consumidores de renda mais elevada. O recuo, neste caso, foi de 0,5 p.p.

Quando se considera o acumulado em um ano, no entanto, a proporção de endividados cresceu mais, justamente, no grupo de renda alta — com o crescimento foi de 5,8 p.p., contra uma elevação de 4,3 p.p. para os que ganham menos.

"A geração progressiva de vagas no mercado de trabalho, a queda da inflação nos últimos meses, além das políticas de transferência de renda mais robustas têm aumentado a renda disponível, o que explica a desaceleração da proporção total de endividados”, explicou José Roberto Tadros.

Estados com mais endividados

Apesar de o endividamento ter caído no Brasil de forma geral, em 17 das 27 unidades da federação, diz a CNC, a proporção de endividados cresceu na passagem setembro para outubro.

Dos cinco estados com mais famílias endividadas, dois são do Sul — no Paraná, o índice é de 95,8% e, no Rio Grande do Sul, de 91,9%.

Em seguida, aparecem no ranking três estados do Sudeste: Rio de Janeiro, com 89,7% de endividados, Espírito Santo, com 88,5%, e Minas Gerais, com 87,2%.

Crédito consignado

Apesar da maior oferta de crédito consignado no mercado — com a concessão de empréstimos para beneficiários do Auixílio Brasil — em um ano, essa modalidade perdeu espaço quando o assunto é endividamento dos brasileiros. Hoje, 5% dos consumidores endividados têm dívidas de empréstimo com desconto em folha, contra 7% em outubro de 2021.

Cartão de crédito e carnês dominam endividamento das famílias

Gastos com cartão de crédito e carnês são os dois principais motivos por trás do endividamento no Brasil. Enquanto 86,2% das famílias têm dívidas no cartão, cerca de 19,5% delas estão com o orçamento comprometido por conta dos carnês.

Na sequência, entre os maiores vilões do endividamento familiar, estão o financiamento de carro (9%) e o crédito pessoal (8,4%). As dívidas relacionadas à compra de veículos, no entanto, tiveram a maior queda percentual no último ano e caíram quase 4%.

fonte:https://extra.globo.com/

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