Consignado do INSS: após redução no teto de juros, bancos privados ainda não baixaram taxas
Resolução que recomenda ao INSS a queda nas taxas foi publicada pelo Ministério da Previdência Social nesta segunda-feira (dia 21)
Por Leticia Lopes — Rio
— Foto: Arquivo
Após o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovar na semana passada uma redução no teto de juros dos empréstimos e cartões de crédito consignados para aposentados e pensionistas do INSS, bancos privados ainda não alteraram as taxas praticadas nas operações com desconto em folha.
A resolução que recomenda ao INSS a queda nas taxas foi publicada pelo Ministério da Previdência Social nesta segunda-feira (dia 21) no Diário Oficial da União. Com a decisão, os juros máximos para empréstimos consignados a beneficiários do Instituto passou de 1,97% para 1,91% ao mês, enquanto a taxa do cartão de crédito consignado caiu de 2,89% para 2,83% ao mês.
A proposta foi aprovada por 14 votos. Apenas o representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) votou contra. A justificativa apresentada pelo Ministério da Previdência é a queda na Selic, taxa de juros básica da economia. No início do mês, o Comitê de Politica Monetária (Copom) reduziu os juros em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano.
Logo após a decisão do Copom, os bancos públicos promoveram cortes nos juros praticados para os clientes que acessam o crédito consignado do INSS. Na Caixa Econômica Federal, a taxa passou de 1,74% para 1,70% ao mês, uma redução de 0,04 ponto percentual. Já no Banco do Brasil, a redução de foi de 1,81% para 1,77% ao mês, na faixa mínima, e de 1,95% para 1,89% ao mês, no patamar máximo.
Na semana passada, quando a decisão do CNPS foi divulgada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou que o novo teto para os juros do crédito consignado do INSS fica abaixo dos custos que parte dos bancos tem para oferecer a linha. A entidade afirmou ainda que não houve diálogo sobre a proposta e que a redução das taxas pode comprometer a oferta do consignado.
Procurado pelo EXTRA, o Santander informou que está realizando estudos financeiros para a aplicação das novas diretrizes, e o C6 afirmou que vai adequar a taxa de juros após a publicação, pelo INSS, da norma referente às operações de crédito consignado para beneficiários.
A empresa de processamento de dados do governo federal informou que as alterações das novas taxas nos sistemas da Dataprev serão liberadas aos bancos após a publicação de uma instrução normativa (IN) pelo INSS. O Instituto foi procurado, mas não respondeu.
Dados do Banco Central (BC) apurados entre os dias 1º e 8 de agosto mostram que dos 39 bancos que operam essa modalidade de crédito, 24 já praticavam taxas abaixo de 1,91% ao mês. Veja:
- Inbursa: 1,46%
- Sicoob: 1,53%
- Alfa Financeira: 1,63%
- Facta: 1,64%
- Parati: 1,65%
- BRB: 1,72%
- Banestes: 1,72%
- Bari: 1,73%
- Banco do Estado do Rio Grande do Sul: 1,74%
- Bradesco: 1,75%
- Sicredi: 1,75%
- Banco Paulista: 1,76%
- Crefisa: 1,77%
- Caixa Econômica Federal: 1,81%
- Santander: 1,81%
- C6: 1,82%
- Agibank: 1,83%
- HS Financeira: 1,84%
- Banco Inter: 1,84%
- Banco Pan: 1,87%
- Banco Bradesco: 1,89%
- Banco do Brasil: 1,91%
- Zema: 1,91%
- Paraná Banco: 1,91%
- Banco da Amazônia: 1,92%
- CCB Brasil: 1,93%
- BMG: 1,93%
- Daycoval: 1,95%
- Itaú Consignado: 1,95%
- Safra: 1,95%
- Itaú: 1,97%
- Banco do Nordeste: 1,99%
- Banco Mercantil: 2,01%
- Gazincred: 2,02%
- CSF: 2,02%
- Banco do Estado de Sergipe: 2,03%

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