A desvalorização do leite tem preocupado produtores rurais de toda a região do Oeste Paulista, que enfrentam aumento nos custos de produção e margens cada vez mais apertadas. Mesmo com a queda natural na produção nesta época do ano, o mercado não tem reagido como esperado.
Nas propriedades rurais, o cenário é de pastagens secas, capim baixo, cana-de-açúcar com pouco rendimento e dificuldades para alimentar o rebanho. Com menos comida, as vacas produzem menos leite. Era esperado que, com a baixa oferta, o preço pago ao produtor aumentasse — mas o valor continua estagnado.
Hoje, produtores recebem em torno de R$ 2,35 pelo litro do leite, enquanto afirmam que, diante da seca e dos custos elevados com ração e insumos, o preço mínimo deveria ser de R$ 3,00 para cobrir os gastos. “Está tudo seco, difícil de tratar do gado. O leite no mercado está caro, mas pra gente o valor não sobe”, desabafa um produtor.
Algumas propriedades já não conseguem fechar as contas no fim do mês. Uma família que possui dez vacas viu a produção cair de 60 litros por dia para 30 litros nos últimos três meses. Em Regente Feijó, a queda é ainda mais expressiva: antes de abril, a produção era de 400 litros por dia, caiu para 200 e, agora, não passa de 110 litros diários.
Segundo dados da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), a última safra de leite na regional de Presidente Prudente registrou pouco mais de 50 milhões de litros em 2024, enquanto em 2023 foram 71,3 milhões e, em 2022, 67,5 milhões de litros. A baixa na produção liga um sinal de alerta em toda a cadeia leiteira.
Apesar da menor oferta, os preços não acompanham a lógica do mercado e seguem em queda, o que surpreende especialistas e frustra quem vive da atividade. “Produtividade caiu por causa da seca, insumos subiram, e o valor do leite só desce. A gente está fazendo mágica para não parar", relata uma produtora.
Para muitos, a única esperança de melhora, por enquanto, é a chegada da chuva. “Se Deus quiser, logo ela vem. Porque o preço do leite, acho difícil subir”, diz o produtor Seu João.
Enquanto isso, o campo segue trabalhando, mesmo com lucro quase zero e contas no vermelho. Cresce também o medo de que, se a situação não mudar, muitos produtores deixem a atividade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário