terça-feira, 31 de março de 2026

Por erro de reconhecimento facial, mulher passa cinco meses presa injustamente

 Angela Lipps, de 50 anos, foi encarcerada por fraude em agência bancária onde ela nunca esteve: 'Não sou mais a mesma mulher. Acho que nunca mais serei' 

Por Fernando Moreira


Foto: Reprodução/Fargo Police Dept.; Reprodução/GoFundMe

Angela Lipps, de 50 anos, ficou presa por cinco meses após um programa de reconhecimento facial a identificar erroneamente como suspeita de fraude bancária em um estado que ela nunca havia visitado.

A mulher foi detida na casa que alugava no Tennessee, em julho do ano passado. Angela foi extraditada para Fargo (Dakota do Norte), a mais de 1.600 quilômetros de casa, no fim de outubro.

Angela contou que a sua transferência para Dakota do Norte foi "a primeira vez que entrei num avião". Em página aberta no site de financiamento coletivo GoFundMe, a americana declarou ter ficado "apavorada, exausta e humilhada".

Um advogado em Fargo desmontou o caso contra Angela exibindo o seu extrato bancário, que comprovava que ela estivera no Tennessee durante o período da fraude à qual o departamento a ligou.

"Tudo desmoronou em cinco minutos", lamentou Angela.

Em 23 de dezembro, pouco mais de cinco meses após a prisão de Angela, um detetive de Fargo, o promotor público e um juiz "concordaram mutuamente em arquivar as acusações". A americana foi libertada na véspera de Natal, mas ainda precisava enfrentar as consequências do erro.

Durante os cinco meses em que esteve sob custódia, a reputação de Angela foi manchada, ela perdeu sua casa alugada e todos os seus pertences foram confiscados quando a conta do depósito não foi paga, alegou ela na campanha de arrecadação de fundos.

"Não sou mais a mesma mulher. Acho que nunca mais serei", comentou ela.

A campanha arrecadou mais de US$ 68 mil (cerca de R$ 358 mil).

O Departamento de Polícia de Fargo não "enviará nem utilizará mais informações" do sistema de inteligência artificial Clearview.

fonte:https://extra.globo.com/

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