
Com a dívida bruta do governo geral em alta,
especialista da UniCesumar alerta para as consequências no encarecimento do
crédito, risco de inflação e na redução de serviços essenciais.
Embora
o controle das contas públicas seja frequentemente tratado como um debate
restrito ao Ministério da Fazenda, o nível de endividamento do país repercute
de forma direta e imediata no poder de compra e na rotina financeira da
população. Essa métrica, que indica o quanto o Estado deve a credores, como
bancos e fundos de investimento, para financiar despesas não cobertas pela
arrecadação de impostos, alcançou o patamar de R$ 10 trilhões no fechamento de
2025, o equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do
Banco Central.
"Se
o governo gasta persistentemente mais do que arrecada, precisa se financiar por
meio de dívida, algo comparável a uma família que recorre ao cartão de crédito
ou cheque especial quando a renda não cobre as despesas. O perigo de uma fatura
muito alta para o país é que o governo passa a gastar grande parte do orçamento
apenas pagando juros, o que engessa a máquina pública e drena os recursos que
deveriam ir para obras, modernização de hospitais e escolas", explica
Daniela Monteiro, professora de Economia da EAD UniCesumar.
Quando
a fatura do país sobe de forma contínua, inicia-se um "efeito dominó"
na economia, pois a percepção de risco sobre a capacidade de pagamento do
governo eleva os juros exigidos pelos investidores para financiar o Estado. Na
prática, juros altos encarecem o crédito para empresas e famílias, e reduzem a
capacidade do governo de alocar recursos em áreas fundamentais, como saúde,
segurança e educação, já que uma fatia maior do orçamento fica comprometida com
o pagamento de juros da própria dívida.
Juros, inflação e o impacto no consumo
O
controle da dívida define se o brasileiro terá manutenção de renda ou se
continuará pagando caro por empréstimos e produtos. Com a percepção de risco
fiscal em evidência, os juros demoram a cair e a expectativa de descontrole nas
contas públicas afeta a confiança do mercado, gerando pressão sobre o câmbio e,
consequentemente, ameaçando o retorno da inflação nos produtos básicos.
"A
dívida alta pressiona diretamente a taxa de juros e encarece o custo do
dinheiro. Isso afeta o cidadão de forma imediata: financiamentos imobiliários,
empréstimos, taxas de cartão de crédito e crediários ficam mais caros, o que
trava o consumo das famílias. Com crédito restrito e juros elevados, as
empresas investem menos e congelam contratações, o que enfraquece o mercado de
trabalho e o crescimento do país", detalha a professora da UniCesumar.
Caminhos para a estabilização
A
reversão dessa trajetória e a proteção do orçamento das famílias exigem medidas
estruturais por parte do poder público. O reequilíbrio das contas não depende
exclusivamente do corte linear de despesas essenciais, mas de uma revisão
estratégica da eficiência estatal e do estímulo à atividade econômica.
"O
controle da dívida pública é um fator decisivo para proteger o poder de compra
da população. A solução passa por uma combinação de responsabilidade fiscal,
melhora na qualidade do gasto e crescimento econômico. É preciso controlar as
despesas obrigatórias e combater a sonegação para aumentar a arrecadação de
forma sustentável, sem penalizar o contribuinte. Quando o país sinaliza uma
trajetória sustentável para a sua dívida, o prêmio de risco cai, o que favorece
juros menores, estimula investimentos corporativos e, em última instância,
blinda a renda real do brasileiro", conclui Monteiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário