Emagrecimento involuntário na terceira idade pode indicar perda de massa muscular, deficiência nutricional ou problemas de saúde e merece avaliação médica
Perder
peso costuma ser associado a um sinal positivo de saúde, principalmente quando
está relacionado à adoção de uma alimentação equilibrada e à prática de
atividades físicas. No entanto, quando o emagrecimento acontece de forma
involuntária, especialmente após os 70 anos, o cenário pode ser diferente e
merece atenção. Na terceira idade, a redução de peso sem uma mudança
intencional na alimentação ou na rotina pode estar relacionada a diversos
fatores, desde alterações no apetite e dificuldades para mastigar ou engolir
até perda de massa muscular, efeitos de medicamentos e doenças crônicas.
Segundo
o médico Bruno Vial, da
Said Rio, empresa especializada em assistência domiciliar, o
primeiro passo é entender se a perda de peso foi realmente intencional e quais
estruturas do organismo estão sendo perdidas. “Quando um idoso emagrece sem
estar tentando, não devemos simplesmente comemorar a redução na balança. É
importante investigar se houve perda de gordura, de massa muscular ou de ambas.
A perda muscular é especialmente preocupante porque pode comprometer força,
equilíbrio, mobilidade e autonomia”, explica.
A
perda involuntária de peso pode passar despercebida pelas famílias,
principalmente quando acontece de maneira gradual. Mudanças no caimento das roupas,
redução do apetite, maior dificuldade para realizar atividades cotidianas ou
cansaço frequente podem ser alguns dos sinais observados. De acordo com a
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a perda de peso
involuntária em idosos é um importante sinal de alerta e deve ser investigada,
pois pode estar associada a diferentes condições clínicas.
Entre
as possíveis causas estão problemas gastrointestinais, alterações hormonais,
infecções, doenças crônicas, depressão, alterações cognitivas e efeitos
colaterais de medicamentos. Questões sociais também podem interferir, como
dificuldade para comprar ou preparar alimentos e o isolamento social. “Não
existe uma única causa para o emagrecimento involuntário. Por isso, a avaliação
precisa considerar o histórico do paciente, os medicamentos utilizados, a
alimentação, o estado emocional, a capacidade funcional e possíveis doenças”,
destaca o médico.
Outro
ponto de atenção durante o envelhecimento é a sarcopenia, caracterizada pela
perda progressiva de massa e força muscular. Mesmo que o peso corporal não
diminua significativamente, o idoso pode perder músculos e acumular
proporcionalmente mais gordura. Por isso, acompanhar apenas o número indicado
pela balança não é suficiente para avaliar o estado nutricional. “A massa
muscular tem relação direta com a independência. Um idoso que perde força pode
começar a ter dificuldade para levantar da cama ou da cadeira, caminhar, tomar
banho sozinho e realizar outras atividades. Isso aumenta também o risco de quedas
e dependência”, afirma o especialista.
Garantir
uma alimentação equilibrada é uma das estratégias para preservar a saúde e a
massa muscular durante o envelhecimento. Proteínas, vitaminas, minerais, fibras
e hidratação adequada devem fazer parte da rotina, sempre respeitando as
necessidades individuais de cada paciente. A alimentação, porém, precisa ser
avaliada de forma personalizada. Um idoso com diabetes, doença renal,
dificuldade de deglutição ou outras condições de saúde, por exemplo, pode ter necessidades
nutricionais diferentes.
Nesse
contexto, o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar pode fazer diferença.
Na Said Rio, médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros
e cuidadores podem atuar de forma integrada para identificar mudanças no estado
de saúde e adaptar os cuidados às necessidades de cada paciente.
Familiares
e cuidadores também têm um papel importante na observação da rotina. Mudanças
na quantidade de comida ingerida, dificuldade para mastigar ou engolir, recusa
frequente de refeições, alterações de humor e perda de disposição são
informações que devem ser comunicadas à equipe de saúde. “Mais importante do
que olhar apenas para o peso é observar o conjunto. Se o idoso está comendo
menos, perdeu força, está mais cansado ou deixou de realizar atividades que
antes fazia sozinho, é importante procurar avaliação. O envelhecimento não deve
ser usado como justificativa para todas as mudanças”, conclui Bruno.
Nenhum comentário:
Postar um comentário