sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Operação Trevo do Infortúnio: terceira fase atinge lavagem de dinheiro de jogos de azar em SP e MG

 


Polícia e Ministério Público unem forças; fornecedor de máquinas caça-níqueis é alvo em Campinas; mais de R$ 63 mil são apreendidos


A terceira fase da Operação Trevo do Infortúnio, voltada ao combate à lavagem de dinheiro e à exploração ilegal de jogos de azar, foi deflagrada nesta quarta-feira (7), com ações em São Paulo e em Minas Gerais. A ação reúne forças de segurança dos dois estados, sob coordenação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais, com sede em Uberlândia.

Em Campinas, no interior paulista, equipes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte. Ao todo, 17 policiais militares participaram da operação.
Nas buscas, foram apreendidos R$ 63,2 mil em espécie, além de valores em guaranis e euros. Também foram recolhidos dispositivos eletrônicos que poderão servir de prova na investigação.

O principal alvo da etapa em Campinas é um homem apontado como um dos maiores fornecedores de máquinas caça-níqueis para a organização criminosa. Conforme apurado pelo Gaeco, os equipamentos eram disponibilizados por meio de contratos de locação e notas fiscais, mas a remuneração era calculada com base no faturamento das próprias máquinas — característica que configura esquema de exploração ilegal.

A investigação ainda detectou pagamentos em dinheiro e cheques, além de movimentação de recursos por intermédio de terceiros, prática usada para ocultar a origem ilícita dos valores. Máquinas ligadas ao investigado teriam sido enviadas e usadas em Minas Gerais, Goiás e Tocantins.

“Essa operação demonstra, mais uma vez, a importância do trabalho conjunto das instituições no combate às organizações criminosas. A deflagração de hoje reflete a união do Estado de São Paulo com outros Estados da Federação, para atacar o crime organizado, onde quer que ele esteja.”

 — Tenente-coronel Wanderley Turolla Alves Cardoso, comandante do 1º Baep

 A organização investigada teria mais de três décadas de atuação em Uberlândia, explorando jogos proibidos como o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, e lavando os lucros obtidos. A operação recebeu o nome de “Trevo do Infortúnio” porque o símbolo do grupo era um trevo, usado em locais de operação das apostas.

A primeira fase ocorreu em dezembro de 2022, em Uberlândia. Na segunda etapa, em abril de 2023, foram cumpridos 26 mandados em Uberlândia, Ituiutaba, Araguari e Goiânia, com bloqueio de bens e valores de 23 investigados, até o limite de R$ 36 milhões.

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